27 de janeiro de 2014

Casa de Banhos

Casa de Banhos - Início do século XX
A Casa de Banhos, construída sobre os arrecifes, era frequentada pela sociedade pernambucana no final do século XIX e início do século XX, tornando-se inclusive um famoso ponto turístico recifense conhecido mundialmente.

Foi fundada em 1880, pelo Sr. Carlos José de Medeiros, que solicitou autorização do Governo para construir sua residência nos arrecifes, próximo onde é a Antiga Ponte Giratória.
Inauguração da Casa de Banhos - 1880
Maria Rita de Medeiros, esposa de Carlos Medeiros
Algum tempo depois, o proprietário resolveu explorar comercialmente o local, transformando-o em uma hospedaria para fins medicinais, embora permanecesse como sua residência. Era uma construção de madeira e ferro que, segundo Mário Sette:
"lembrava um navio sem mastro, com suas janelas 'camarotes', com seus terraços de convés, um para o rio [Capibaribe] outro para o Atlântico [...]"
Foi denominado oficialmente Grande Estabelecimento Balneário de Pernambuco. Porém, como o povo só o chamava de Casa de Banhos, assim ficou conhecido.

Casa de Banhos - Final do século XIX
Casa de Banhos - Início do século XX
No início do século tornou-se ponto de encontro da sociedade recifense, que para lá se dirigia para tomar banho salgado numa piscina natural existente nos arrecifes, que foi aperfeiçoada pelo construtor da Casa de Banhos, visando à segurança dos banhistas. Em 1902, possuía cinco banheiros que permitiam o uso simultâneo de 350 pessoas. Continha 102 compartimentos próprios para a toilette dos banhistas, um grande salão de refeições, duas salas, um gabinete de leitura e outras dependências.

A propaganda oficial da Casa de Banhos nesta época ressaltava que o local reunia condições de higiene e conforto, com acomodações para hóspedes sãos e doentes e cobrava uma pensão, nunca superior à exigida pelos principais hotéis da cidade.

Apregoava, ainda, citando experiência comprovada por diversas vezes e em vários casos de doenças, que a estada de um ou dois meses no referido estabelecimento, com ou sem uso dos banhos, representava um excelente meio para a cura de beriberi, as convalescenças, as febres nervosas.

A localidade era muito procurada pelos estrangeiros, tanto para repouso quanto para os banhos salgados em suas piscinas naturais do lado do oceano. A propósito, contornava a piscina um sistema de proteção feito com cabos de aço, que impedia os banhistas caíssem no mar.

Piscina natural da Casa de Banhos - 1910
As roupas utilizadas para os banhos eram feitas de baeta (tecido felpudo de lã) e os calções estendiam-se até os joelhos. Um estrangeiro, certa vez, pretendendo tomar banho usando uma sunga na Casa de Banhos, causou um protesto tão grande que foi necessário a intervenção do gerente "em nome da moralidade".

Os proprietários moravam numa dependência do próprio estabelecimento que chegaram a ter uma filha nascida naquele local, cujo nome não poderia deixar de lembrar as coisas do mar, que a isolava do continente: Marina.

Após a morte do Sr. Medeiros, o negócio foi comprado pelo inglês Sydney Rodhes, que fez vários melhoramentos e inovações no local, aumentando também a tabela de preços.
Anúncio da época

Por isso, em 1915, o então governador do Estado, general Emídio Dantas Barreto, interferiu no negócio, reformulando o primeiro regulamento da Casa de Banhos, que datava de 31 de outubro de 1895. Neste sentido, alterou o artigo que tratava dos preços e acrescentou um outro, que tornava obrigatórios e gratuitos, banhos diários para vinte doentes pobres da Santa Casa de Misericórdia do Recife.

No auge do seu prestígio a Casa de Banhos era um dos pontos de encontro importantes da sociedade pernambucana que, além dos banhos, procurava o seu restaurante muito bem montado com louças inglesas gravadas com monograma próprio, bebidas estrangeiras e finas iguarias no cardápio. No restaurante eram realizados, ainda, festas e bailes carnavalescos, podendo-se destacar uma festa oferecida ao médico sanitarista Amaury de Medeiros, em 1924.

Pintura retratando a Casa de Banhos ao fundo, sobre os arrecifes
Naturalmente transformou-se em um ponto de atração turística da cidade, conhecido mundialmente, como comprovam citações em jornais europeus. O acesso à Casa de Banhos era constante. Botes e lanchas realizavam 13 viagens diárias, das 4h40 da madrugada às 22h, para transportar os usuários.


Cartões postais  do início do século XX retratavam a Casa de Banhos
Depois de um período de decadência a Casa de Banhos, tendo ainda como proprietário Sydney Rodhes, foi destruída por um incêndio em agosto de 1924, embora - ironicamente - fosse cercada de água por todos os lados. Foi anunciado que reabriria em setembro mas isso nunca aconteceu.

Atualmente é possível ver as suas ruínas na área próxima a um restaurante que foi erguido no dique, também sobre os arrecifes, e que leva o mesmo nome: "Restaurante Casa de Banhos", também conhecido como "Bar do Dique".


Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

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